terça-feira, 20 de outubro de 2009

Conferência Municipal de Cultura

21 de outubro de 2009 - Foz do Iguaçu
Programação

8h00 - Credenciamento

9h00 - Abertura: Composição damesacomaComissão Organizadorae apresentação do GTE (Grupo de Trabalho Executivo)

9h15 - Palestra: Políticas de Produção Cultural - Talitha Bianchini - Técnica de Cultura do Sesc Foz do Iguaçu

10h20 - Palestra: Sistema Municipal de Cultura de Foz do Iguaçu - Nilton Bobato - vereador, professor e escritor

11h00 - Palestra: Movimento HipHop e Políticas Culturais para a Juventude de Periferia - Wilson Alves (Will Capa Preta) - Coordenador Estadual da Nação Hip Hop, Presidente da Ass.dos Quatro Elementos da Cultura do Hip Hop

12h00 - Almoço

13h30 - Início dos trabalhos da tarde - Direcionamento para os eixos temáticos:

Mesa I: Gestão Pública da Cultura

Mesa II: Cultura é Direito e Comunicação

Mesa III: Patrimônio Cultural

15h30 - Coffe Break

15h45 - Eleição dos Delegados para Conferência Estadual de Cultura

16h30 - Leitura final das propostas apresentadas e dosdelegados eleitos na conferência

17h00 - Encerramento da Conferência

POLÍTICA PÚBLICA

Há exatos dez anos, eu (e muitos amigos) sonhava em ir embora da cidade por desacreditar em mudanças, tanto estruturais, quanto na matriz econômica. Foz do Iguaçu era governada como se governa algo que não amamos: sem comprometimento ou responsabilidade com o coletivo, com o público, em nome do individual. As ações do Governo Municipal (em praticamente todas as áreas) eram paliativas, momentâneas, insuficientes. Visavam apenas “apagar os incêndios” produzidos pela má gestão dos recursos públicos. Neste processo, a população era excluída das decisões que diziam respeito à sua própria vida. O processo decisório era de “cima para baixo”, voltado a atender o pequeno (e parasitário) grupo detentor do poder. Ir para longe, para outra cidade, não era, assim, apenas um sonho, mas uma necessidade, frente à incoerência de viver em sua terra e, ao mesmo tempo, vê-la tratada como bem privado.
Hoje, tanto na esfera Federal quanto Municipal, os métodos são muito diferentes. O Governo do presidente Lula inaugurou a “era da democratização da gestão pública”, dando à sociedade civil um caráter não só consultivo, mas deliberativo e, para isso, implementando consultas públicas inovadoras, muitas delas já previstas na Constituição Federal ou mesmo em leis complementares a esta, como o Estatuto das Cidades. Este, por exemplo, prevê, entre outros avanços, a realização de audiências públicas para tratar de assuntos voltados à vida de cada uma das pessoas.
Um exemplo a ser citado é a Cultura. O Presidente Lula vem tratando a Política Cultural com verdadeiro status de Política de Estado, alinhando-a ao maior programa de reestruturação da Educação Básica da história do Brasil, o Fundeb, e aos programas de Reestruturação da Universidade Pública (Reuni) e de acesso ao ensino superior (Prouni), além de diversas ações em praticamente todos os ministérios, orquestradas pelas mãos do operário que virou presidente e, mesmo sem ter cursado uma universidade foi, ontem, 14 de outubro, citado no jornal francês Le Monde como o “governante que dinamizou o ensino superior e inventou a universidade do século 21”, mostra clara do prestígio e valorização de nosso Governo frente à imprensa internacional, ao contrário da fiel escudeira da elite, a imprensa privada brasileira. Entre as diversas ações do Governo Federal, destaca-se a aprovação, ontem, 14/10, na Câmara de Deputados, o “Vale-Cultura” do trabalhador. O projeto caminha agora para o Senado Federal e, em breve, será mais um mecanismo de justiça, fomento e democratização do acesso à Cultura (para a população) e recursos (para os profissionais do setor). Além disso, a Conferência Nacional de Cultura, que acontecerá ainda em 2009, é um marco histórico. Com etapas estaduais, regionais e municipais, além dos grupos de debate espalhados por toda a sociedade, vai orientar as ações do Ministério da Cultura nos próximos anos, da mesma forma que as Conferências Nacionais de Educação e Comunicação, além de outras áreas, contribuirão para o desenvolvimento (modernização) das políticas públicas voltadas à sociedade.
A ressonância deste processo é visível em nossa cidade, governada pelo prefeito Paulo e por seu vice, Chico. Além dos conselhos formados por membros da sociedade civil, as Conferências Municipais entraram no calendário de atividades do município, em diversas áreas, visando atender a recomendação dos ministérios do Governo Federal e garantir às cidades, além de uma complementação orçamentária, a oportunidade de se construir política pública de “baixo para cima”, atendendo a verdadeira demanda, elencada pelo próprio cidadão ou entidade não governamental que o representa.
Em Foz, a Conferência Municipal de Cultura, marcada para o dia 21 de outubro, propõe um dia inteiro de discussões e debates sobre os rumos das políticas públicas de cultura em nossa cidade, além de levantar propostas a serem levadas às Conferências Superiores sobre o tema. Paralelo a Conferência Municipal, a Fundação Cultural, através do valente trabalho de Juca Rodrigues (PCdoB) prevê para os próximos dias o encaminhamento à Câmara Municipal do projeto de Lei, de autoria do Vereador Nilton Bobato (PCdoB), que cria (ou regulamenta) o Sistema Municipal de Cultura e, junto a este, o Fundo Municipal de Cultura. O projeto, praticamente pronto desde junho, sofreu algumas análises e adequações, a fim de se chegar a um texto coerente não só com os requisitos básicos do Ministério da Cultura, mas com a realidade cultural e econômica da cidade.
A Conferência Municipal (e as discussões sobre o Sistema) acontece junto com uma intensa movimentação dos grupos e agentes culturais na cidade. O ano de 2009 teve seu calendário tomado por ações culturais espalhadas por diversos pontos da cidade e atendendo os diversos públicos e bolsos. Desde os grandes eventos do Ano da França no Brasil até pequenos sarais literários e intervenções cênicas (de rua, em livrarias ou e em bares), os agentes culturais explicitam que a época da ignorância cultural universalizada acabou em Foz do Iguaçu. Ao mesmo tempo, o Movimento Pró-Construção do Teatro Municipal reaparece e ganha força (e adeptos) a cada dia, as instituições de ensino superior se interessam ao processo e a sociedade civil percebe a importância de, após investimentos maciços em educação, surgir à preocupação com a Cultura dos cidadãos e cidadãs.
Vivemos, portanto, um período de transição único. A política pública de cultura se tornou, inegavelmente, a pauta da discussão sobre o tema e os agentes culturais foram chamados, não para se receber esmola, mas para colocarem sua experiência a favor da cidade, através da contribuição ao debate e na proposição de linhas de atuação a serem seguidas poder público. Temos que criar uma cidade melhor para nossos filhos e esquecer um pouco nosso individualismo terrível. Não podemos permitir que a chama se apague e um novo retrocesso aconteça, caso contrário, os filhos desta cidade (por nascimento ou opção) vão continuar a sonhar com outras terras, provavelmente, bem distantes daqui.

* LUIZ HENRIQUE DIAS DA SILVA é escritor, estudante de Arquitetura e Urbanismo e Secretário de Organização Política do PcdoB de Foz do Iguaçu.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Os Livros Invadiram a Calçada

Quarta-feira a tarde, precisamente 17h horas, quem passou pela rua Jorge Sanwais, em frente livraria Sebo Cultural, presenciou uma movimentaç o estranha rotina da cidade.

Banquinhos de madeira espalhados pela calçada sobre um tapete vermelho, enquanto isso uma menina tocava algumas músicas no violão, ao mesmo tempo em que imagens coloridas eram projetadas na parede, e outras pessoas liam, ou simplesmente assistiam...
Foi assim que começou o sarau Papos Literários, produzido pelo coletivo de cultura Miró, e Cia de Teatro Amadeus em apoio ao Movimento Pró Construç o do Teatro Municipal.
O espaço cedido pelo sebo abrigou pessoas dispostas a ler, debater literatura, ouvir, escrever e acima de tudo, desenvolver cultura de qualidade em solo iguaçuense.
A menina que tocava era Bruna Parcianello, estudante do ensino médio, o repertório foi de Capital Inicial Beatles, passando por Kid Abelha e Paralamas do Sucesso. As imagem coloridas eram alguns curtas em animaç o, franceses, árabes e brasileiros.
Essa intervenção tinha o objetivo de ocupar a rua, convidar as pessoas a participar e apoiar o Movimento Pró - Teatro.
Assim que a música terminou, Luiz Henrique Dias, produtor cultural, fez uma pequena apresentaç o sobre os escritores Dalton Trevisan e Samir Mesquita e, leu alguns minicontos escritos por eles. Logo, os caros ouvintes passaram a ser também leitores e, principalmente, escritores. Parece estranho, mas Dias ministrou uma pequena oficina sobre produção de minicontos, onde as pessoas acabaram escrevendo seus próprios textos e apresentando-os uns aos outros.



Foi em meio aos livros, revistas, discos, cds; que o escritor Nilton Bobato fez uma pelestra sobre o curitibano Trevisan. Fez comparações entre as primeiras e últimas obras do autor, leu alguns contos, comentou as influências como, por exemplo, Edgar Allan Poe. E destacou o estilo literário de Trevisan, rico em descrições detalhadas utilizando a linguagem do cotidiano. Deu dicas aos futuros contistas ali presentes, "vocês devem prestar atenção a tudo que acontece, e principalmente se ater aos detalhes, uma boa descrição dos fatos é fundamental" ensinou.

Para terminar, o prdutor Moacir Ferreira escolheu um conto do livro Prosa de Sacada, lançado em 2004 por Nilton Bobato, para ler e encerrar as atividades. No entanto, as pessoa continuaram ali sentadas em seus banquinhos, lendo, discutindo, trocando livros, até a noite chegar, afinal, quem tem medo de vanpiro?
Mariana Serafni

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

EM DEFESA DA CULTURA DE FOZ

Caros amigos,

lutar pelo teatro municipal vai além do simples fato de querermos um espaço para apresentações e eventos. Lutar por um Teatro Municipal é, simbolicamente, lutar por todo movimento cultural de nossa cidade, estado e nação. É lutar por um espaço que, tanto por sua forma quanto por sua função, exerça o poder mágico da arte no coração dos homens, mulheres e, principalmente, crianças, para expandir a consciência, a educação e o respeito ao patrimônio, em todas as faixas etárias e sociais, valorizando a cultura local e o intercâmbio.

O Movimento em Pró da Construção do Teatro Municipal de Foz do Iguaçu volta ao palco para discutir não só o espaço, mas a política para ele e para a cidade. Contestar, como é a função do artista, com governos, sociedade civil organizada e iniciativa privada até que ponto a visão assistencialista sobre a classe artística é benéfica para a Foz do Iguaçu. Mostrar o quanto a arte pode incluir indivíduos, ajudar pessoas e sensibilizar os cidadãos, abrindo os olhos dos indivíduos para um mundo melhor.

Através de ações artísticas podemos levar mensagens e ideologias, fazer rir e chorar, cantar e encantar, gerar emprego, renda e inclusão social de qualidade e sustentável. Um povo culturalmente desenvolvido sabe valorizar suas raízes e leva-las para as próximas gerações, com respeito, inovação e criatividade.

Nossa cidade passa por um período de mudanças nunca antes visto, com investimentos maciços em educação e trabalho em todas as áreas e por todas as esferas do poder. Teremos uma Universidade Federal, Centros de Educação Tecnológica Federal e Estadual, mais Centros de Convivência Escola Bairro, expansão de nossa malha viária e adequação dos serviços públicos para atender toda a nova demanda demográfica e no setor cultural não pode ficar de fora! Qual o destino cultural para nossos alunos no Ensino Básico? Como atenderemos a nova demanda por produto artístico vinda junto à Universidade Federal? O quê podemos fazer para melhorar as condições dos artistas locais, há anos valentes lutadores e vencedores? São perguntas que o Movimento quer buscar respostas junto à comunidade.

Assim, amigos, não queremos só um teatro. Queremos um espaço nodal de toda uma política cultural para a cidade, de onde possam sair tentáculos para cursos de música, dança, artes plásticas literatura, cultura popular e lírica para todas as regiões da cidade. Queremos lutar por museus, bibliotecas (fixas e itinerantes), centros de cultura e artesanato, cursos de capacitação e profissionalização da classe artística, além da preparação das entidades e cidadãos para respeitar a cultura e valorizar os agentes locais.

Não queremos apenas um teatro para mostrarmos ao mundo que sabemos fazer um prédio bonito. Queremos uma cidade melhor para todos, com educação, saúde, cidadania, planejamento, auto-estima e, é claro, cultura.

Forte abraço e junte-se a nós!


Luiz Henrique Dias da Silva
Escritor e Ator
Movimento Pró Teatro

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Procura-se

O artista em Foz do Iguaçu não tem uma casa.